2 Samuel 16:15-23

O conselho de Husai e Aitofel

Entretanto Absalão chegava a Jerusalém com os seus homens e acompanhado de Aitofel. Quando o amigo de David, Husai o arquita, chegou foi imediatamente ver Absalão. “Viva o rei!”, exclamou ele. “Viva o rei!”

“Será justo essa forma de te conduzires em relação ao teu amigo David?”, perguntou-lhe Absalão. “Porque não está tu com ele?”

“Porque trabalho para o homem que foi escolhido pelo Senhor e por Israel”, replicou Husai. “E demais, porque havia eu de estar com ele? Colaborei com o teu pai e agora colaboro contigo!”

Absalão aconselhou-se com Aitofel: “Que devo eu fazer agora?”

Aitofel disse-lhe: “Vai deitar-te com as mulheres do teu pai, aquelas que ele deixou aqui para manter a casa em ordem. Todo o Israel verá que o insultas de forma a tornar impossível qualquer reconciliação; e dessa forma a população cerrará fileiras atrás de ti.” Foi então levantada uma tenda num dos terraços do palácio, que toda a gente podia ver, e ali Absalão possuía as mulheres que o seu pai tinha.

Absalão fez tudo o que Aitofel lhe dizia, tal como aconteceu com David; é que através de cada palavra de Aitofel se descobria por detrás a sabedoria de Deus.

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2 Samuel 17

“Agora”, disse-lhe Aitofel, “dá-me doze mil homens para que vá atrás de David esta noite. Cairei sobre ele enquanto está cansado e abatido, e as suas tropas ficarão em pânico e fugirão; procurarei matar apenas o rei, poupando os que estão com ele, os quais te trarei posteriormente.” Absalão e todos os anciãos de Israel aprovaram este plano.

No entanto Absalão ainda deu a seguinte ordem: “Perguntem a Husai, o arquita, o que é que ele pensa disso”. Quando Husai chegou, Absalão pô-lo ao corrente do plano de Aitofel, e perguntou-lhe. “Qual é a tua opinião? Achas que devemos seguir os conselhos de Aitofel? Se não tens a mesma opinião, fala à vontade.”

“Pois bem”, respondeu Husai, “desta vez Aitofel engana-se. Conheces bem o teu pai e os seus homens; são valentes guerreiros e provavelmente estão tão revoltados como uma ursa a quem tenham roubado as crias. Além disso, o teu pai, que é um velho soldado, não iria passar a noite no meio da sua tropa. Muito possivelmente está já escondido nalguma cova ou gruta. Quando aparecer para atacar, bastará que alguns dos teus homens caia para que se gere o pânico e todos se ponham a gritar em como a tua gente está sendo morta toda. Então até os mais bravos de entre eles, mesmo com o coração de leões, ficarão paralisados de medo. Porque todo o povo inteiro sabe como o teu pai é um homem poderoso e como são corajosos os seus soldados.

Portanto a minha sugestão é que mobilizes todo o exército de Israel, desde Dan até Berseba, para que a tua força seja grande. Acho mesmo que deverias conduzir pessoalmente esse exército. E quando nos encontrarmos com ele poderemos destruí-los na totalidade, sem que fique um só com vida. No caso do teu pai se ter escondido nalguma cidade, teremos de qualquer forma todo o exército de Israel sob as tuas ordens, e poderemos levar cordas, derrubar as muralhas e fazer delas um montão de pedras no vale mais próximo.”

Absalão e todas as outras pessoas acharam o conselho de Husai melhor que o de Aitofel. Mas era o Senhor quem estava a intervir para que a opinião deste último fosse derrotada, embora fosse mais sensata, para que a iniciativa de Absalão falhasse.

Husai disse a Zadoque e a Abiatar, os sacerdotes, o que Aitofel aconselhara e o que ele próprio contrapusera. “Depressa!”, disse-lhes ele. “Procurem David e digam-lhe que não fique nas margens do Jordão esta noite, mas que passe já para além do deserto, se não, morrerá, ele e todo o seu exército.”

Jónatas e Aimaaz tinham ficado em En-Rogel, para não serem vistos a entrarem e a sairem da cidade. Tinham combinado antes, que uma criada lhes levaria a mensagem a ser entregue a David. No entanto houve um rapaz que os viu deixar En-Rogel para ir ter com David, e que veio dizê-lo a Absalão. Contudo eles puderam ainda ocultar-se em Baurim, onde alguém os escondeu dentro dum poço no seu jardim. A mulher desse indivíduo pôs um pano a tapar a boca do poço, deitou-lhe grão em cima, como se fosse para secar ao sol, e ninguém suspeitou do esconderijo.

Quando a gente de Absalão chegou ali e perguntou à mulher se tinha visto Aimaaz e Jónatas, ela disse-lhe que tinham atravesado o ribeiro e passado além. Assim, cansaram-se de os procurar e voltaram para trás. Os dois filhos dos sacerdotes entretanto sairam do poço e correram até junto de David: “Rápido, atravessa já o Jordão, esta noite mesmo!” E deram-lhe a conhecer como Aitofel tinha aconselhado a que ele fosse capturado e morto. David e todos os que estavam com ele atravessaram o rio durante a noite e de madrugada estavam do outro lado.

Aitofel, vendo que o seu conselho não foi seguido, albardou um jumento, foi para a povoação onde morava, pôs em ordem as suas coisas e enforcou-se. Assim morreu e foi enterrado junto do seu pai.

David em breve chegou a Maanaim. Absalão, durante esse tempo, mobilizou todo o exército de Israel e atravessou o rio Jordão. Nomeou Amasa como general do seu exército, em substituição de Joabe. (Amasa era primo em segundo grau de Joabe; seu pai era Itra, um ismaelita, e sua mãe, Abigail, filha de Naás, irmã de Zeruía, a mãe de Joabe.) Absalão e as tropas israelitas acamparam na terra de Gileade.

Quando David chegou a Maanaim, foi muito bem recebido por Sobi (filho de Naás de Rabá, um amonita) e por Maquir (filho de Amiel de Lodebar) e por Barzilai (um gileadita de Rogelim). Trouxeram-lhes colchões, vasilhas de barro, trigo, cevada, farinha, grão torrado, favas e lentilhas também torradas, assim como mel, manteiga e queijo. Porque diziam: “Devem estar muito cansados, com fome e com sede depois de uma marcha tão longa pelo deserto”.

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2 Samuel 18:1-18

A morte de Absalão

David nomeou comandantes de companhia para as tropas que o seguiam. Um terço foi colocado às ordens do irmão de Joabe, Abisai, filho de Zeruía; outro terço sob o comando de Itai, o giteu. O monarca planeou conduzir ele próprio as suas forças armadas, mas os conselheiros objectaram a isso fortemente: “Não deves fazer tal coisa, porque se tivermos que fugir, e mesmo que aconteça que metade de nós venha a morrer, eles não ligarão a isso, visto que só pretendem a tua pessoa. Tu vales o mesmo que dez mil de entre nós. Portanto é muito melhor que fiques aqui na cidade e que nos mandes ajuda, se viermos a precisar.”

“Bom, pois seja como melhor entenderem”. Assim, ficou à porta da cidade até que toda a tropa passou. Deu mais a seguinte ordem a Joabe, a Abisai e a Itai: “Peço-vos, por amor de mim, que tratem bem o meu rapaz, Absalão.” Todos os soldados ouviram esta recomendação do soberano.

A batalha travou-se na floresta de Efraim, e as tropas israelitas foram batidas pelos homens de David. Houve mesmo uma enorme matança: vinte mil homens deixaram ali as suas vidas. A luta estendeu-se por todo aquele campo e foram mais os que desapareceram na floresta do que os que foram mortos. Durante a refrega Absalão encontrou-se com alguns dos homens mais chegados a David, e ao pôr-se em fuga na sua mula, esta meteu-se debaixo da ramagem espessa de um grande carvalho, ficando-lhe a cabeça presa ali. A mula continuou a correr e deixou-o assim pendurado. Um dos homens de David viu-o e veio dizer a Joabe.

“O quê? Então tu viste-o nessa situação e não o mataste?”, exclamou Joabe. “Ter-te-ia recompensado generosamente e promovido a oficial.”

“Mas eu é que nem por uma fortuna o teria feito”, replicou o homem. “Todos nós ouvimos o rei dizer-te, a ti, a Abisai e a Itai: ‘Por amor de mim, peço-vos que não tratem mal o meu rapaz Absalão’. E se eu tivesse traído o rei, matando-lhe o filho, e o rei com certeza que haveria de descobrir quem o fez, e tu haverias de ser o primeiro a acusar-me.”

“Não posso estar aqui a perder tempo contigo”, respondeu Joabe. Depois pegou em três dardos e foi enterrá-los no coração de Absalão, enquanto ainda estava pendurado, vivo, nos ramos do carvalho. Dez dos pajens de armas de Joabe atiraram-se seguidamente sobre o príncipe e acabaram com ele. Joabe mandou tocar a trombeta e a tropa deixou de perseguir o exército dos israelitas. Pegaram posteriormente no corpo de Absalão e atiraram-no numa funda cova ali na floresta, fazendo um grande monte de pedras sobre ele. Os soldados do exército israelita fugiram todos, cada um para sua casa.

Absalão tinha feito erguer um monumento em sua própria honra no vale do Rei, pois tinha pensado: “Não tenho filhos que façam perdurar o meu nome”. Deu-lhe o nome de Monumento de Absalão, tal como é conhecido até hoje.

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